A adoção global de criptomoedas arrefeceu no primeiro trimestre, uma vez que a atividade de retalho enfrentou ventos contrários provenientes de um dólar mais forte, taxas de juro mais elevadas e um ambiente de aversão ao risco mais generalizado. O Índice Global de Adoção de Criptomoedas do Q1 da TRM Labs registou uma queda de 11% em termos homólogos nos volumes de retalho, para 979 mil milhões de dólares, marcando uma segunda contração trimestral consecutiva e o recuo mais acentuado desde o mercado baixista de 2022. O preço do Bitcoin também recuou, caindo cerca de 22% no trimestre, após um rally no final de 2025 que ultrapassou os 126.000 dólares.
"Esta recessão sublinha a sensibilidade do setor às condições macro", observou a TRM Labs, destacando como as mudanças na liquidez global e no apetite pelo risco se traduzem numa participação de retalho mais reduzida nos mercados.
Os dados trimestrais traçaram uma linha clara entre as regiões onde a criptomoeda serve principalmente como ativo especulativo e aquelas onde desempenha um papel mais funcional — pagamentos, poupanças e transferência de valor. Em mercados maduros como os Estados Unidos, Coreia do Sul, Reino Unido e Alemanha, os traders enfrentaram custos de oportunidade elevados e um ambiente de maior aversão ao risco, contribuindo para as quedas mais acentuadas no volume de negociação observadas no índice.
A TRM Labs atribuiu parte da mudança a um contexto macro mais restritivo, observando que as taxas de juro mais elevadas e um dólar norte-americano mais forte comprimiram o apetite de retalho por ativos de risco. A dinâmica pareceu contrariar as regiões onde a criptomoeda se tornou uma ferramenta mais prática para uso diário ou preservação de capital, onde a atividade se manteve comparativamente mais estável.
O contexto macro do trimestre contribuiu para pressionar o Bitcoin em baixa, em paralelo com o recuo de mercado mais amplo nos mercados de ativos digitais. Após atingir um pico próximo dos 126.000 dólares no final de 2025, o preço do BTC foi recuando ao longo do Q1, à medida que os investidores reavaliaram o risco face à subida das yields e a um momentum económico mais lento. A trajetória de preços sublinhou a ligação entre as condições macro e a procura por exposição a criptomoedas, particularmente em mercados com elevada atividade especulativa.
Para além do preço, a segmentação do índice sugere onde a procura de criptomoedas poderá recuperar. Nas regiões onde o ativo é utilizado como cobertura de risco ou reserva de valor, a atividade pode revelar-se mais resiliente mesmo em períodos de volatilidade. O contraste entre estas dinâmicas foi mais evidente na divisão regional descrita pela TRM Labs, sugerindo que o caminho a seguir pelo setor dependerá tanto da estabilização macro como da evolução dos casos de uso on-chain.
Os desenvolvimentos geopolíticos continuaram a influenciar os padrões de adoção de criptomoedas no Q1. O relatório assinala que o surgimento de tensões regionais no final de fevereiro, incluindo o conflito com o Irão, intensificou a sensibilidade do mercado aos fluxos de energia e aos fatores de risco globais, complicando o ambiente macro e de liquidez para os mercados de criptomoedas.
Entre as exceções, a Turquia registou um aumento de 7% em termos homólogos nos volumes, sinalizando uma dependência mais prática da criptomoeda na economia local. A América Latina e o Sul da Ásia também demonstraram estabilidade relativa, sugerindo uma trajetória de adoção continuada, ainda que desigual, em contextos regulatórios e monetários diversos.
A TRM Labs destacou uma implicação mais ampla: "Esta divergência reflete uma diferença fundamental na procura: onde a política monetária doméstica é condicionada ou os controlos de capital limitam as alternativas, a criptomoeda funciona como reserva de valor e sistema paralelo ao dólar." A afirmação capta como o papel da criptomoeda muda consoante os regimes políticos locais e o stress macro, oferecendo potencialmente uma cobertura onde os instrumentos tradicionais são menos acessíveis ou confiáveis.
As conclusões do Q1 iluminam um panorama matizado para os diferentes atores do ecossistema de criptomoedas. Para investidores e traders, a persistência de um mercado bifurcado — com uma participação de retalho a enfraquecer nas economias avançadas, a par de uma atividade mais resiliente em regiões específicas — acrescenta uma camada de complexidade à avaliação do risco. A queda nos volumes de retalho em pleno fortalecimento do dólar e aumento das taxas poderá drenar a liquidez de curto prazo, particularmente em ativos com elevada procura especulativa.
Os operadores de plataformas, carteiras e projetos centrados em pagamentos poderão registar exposições variadas à medida que a procura dos consumidores se reorienta em torno do custo de capital e da utilização transfronteiriça. Em economias onde a criptomoeda permanece uma alternativa prática a moedas locais restritas ou instáveis, o ativo poderá continuar a desempenhar as suas funções tradicionais mesmo em períodos de recessão, estabilizando potencialmente a procura nesses segmentos do mercado.
Reguladores e decisores políticos deverão monitorizar de perto como as mudanças macro influenciam a atividade das criptomoedas, especialmente em jurisdições onde a criptomoeda serve como canal quase oficial para a retenção de valor ou como substituto dos controlos de capital. O caso da Venezuela, destacado pela TRM como mercado em crescimento, exemplifica como as sanções e os constrangimentos monetários podem moldar os padrões de utilização on-chain e as trajetórias de adoção.
À medida que o ano avança, os observadores deverão estar atentos a vários desenvolvimentos: se as condições macro melhoram suficientemente para reacender o apetite de retalho nas economias avançadas, como as stablecoins e os ecossistemas de pagamentos on-chain influenciam a adoção em mercados condicionados, e como as tensões geopolíticas ou mudanças de política afetam os fluxos transfronteiriços e a liquidez. O equilíbrio em evolução entre a procura especulativa e o uso funcional continuará provavelmente a definir o ritmo e a geografia da adoção de criptomoedas em 2026.
Os leitores devem acompanhar as análises contínuas da TRM Labs para obter atualizações sobre o momentum regional e a interseção dos fatores macro com a atividade on-chain, uma vez que esta dinâmica irá moldar as decisões estratégicas de traders, criadores e instituições que navegam num ecossistema de criptomoedas ainda em maturação.
Este artigo foi originalmente publicado como Global crypto adoption slides on headwinds; Turkey bucks downtrend no Crypto Breaking News — a sua fonte de confiança para notícias sobre criptomoedas, Bitcoin e blockchain.


