Antes mesmo de tomar posse, o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, anunciou nesta 5ª feira (15.jan.2026) uma estratégia integrada de combate ao crime organizado. O anúncio foi feito em conversa com jornalistas, depois de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Palácio do Planalto, e antecipou o tema do encontro que será realizado na sede do governo federal, na tarde desta 5ª feira (15.jan).
O novo ministro definiu o combate ao crime organizado como prioridade que será tratada como uma “ação de Estado” durante sua gestão. Lima e Silva substitui Ricardo Lewandowski, que deixou o Ministério da Justiça na semana passada. O novo titular da pasta disse que a estratégia contra organizações criminosas envolverá atuação integrada entre diferentes órgãos governamentais, incluindo o MP (Ministério Público) e o Judiciário.
“A PF (Polícia Federal), a Receita Federal, elas, por si só, não podem viabilizar sozinhas resultados concretos de medidas que precisam passar pelo MP, chegar no Judiciário para que tenham a efetividade necessária para combater o crime”, disse Lima e Silva.
O governo avalia que, para garantir a efetividade das medidas contra o crime organizado, é necessário ir além das ações do Poder Executivo. A estratégia envolve uma articulação mais ampla entre instituições do Estado, como o Ministério Público e o Poder Judiciário, que devem atuar em sintonia para assegurar o avanço das políticas públicas na área.
“Na prática significa dizer que a Receita Federal, a Polícia Federal atuam num primeiro momento na persecução ou no combate contra esses crimes, mas num determinado instante o Ministério Público precisa entrar, o Judiciário precisa se pronunciar e ajustar essa sintonia”, completou o novo ministro.
A estratégia surgiu da constatação de que medidas tomadas apenas pelo Poder Executivo não alcançam resultados satisfatórios sem o envolvimento de outras instituições. A nova abordagem prevê ação articulada entre diferentes órgãos, cada um atuando dentro de suas competências específicas.
Além de Lula e Andrei, também participaram da reunião com Lima e Silva o vice-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, e o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas.
A decisão de intensificar o combate ao crime organizado teve concordância de todos os participantes. Lima e Silva explicou que a relevância atual do crime organizado exige coordenação entre os órgãos estatais. Segundo ele, ações isoladas do Executivo têm eficácia limitada sem colaboração interinstitucional.
“Houve uma decisão do presidente da República, compartilhada de todos esses atores, de elevar a ação do Estado em combate ao crime organizado. De maneira que a relevância que o crime organizado assumiu, neste momento impõe, na percepção do presidente e de todos esses atores, a necessidade de uma atuação conjunta de todos os órgãos do Estado”, disse Lima e Silva.
Segundo o ministro, ainda nesta 5ª feira (15.jan), ele irá realizar um novo encontro para apresentar as ações que estão sendo projetadas e desenvolvidas pela pasta. As iniciativas em andamento serão incorporadas ao conjunto de medidas já em curso no ministério. Ele adiantou que se reunirá com os secretários especiais para definir a composição da nova equipe. Na sequência, ele passou a palavra ao diretor-geral da Polícia Federal.
Rodrigues destacou a estratégia de sufocamento econômico das organizações criminosas. “O enfrentamento da descapitalização do crime organizado passa por atingir o poder econômico, o andar de cima do crime, com estratégia, inteligência e planejamento, para que tenhamos resultados efetivos e duradouros”, disse.


