Brasília - Enquanto o Congresso Nacional não volta do recesso parlamentar, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) já se movimentou e anunciou na quinta-feira, 15 de janeiro, um grupo de trabalho, de perfil mais governista, para investigar as supostas irregularidades cometidas pelo Banco Master.

De iniciativa do presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), o grupo contará com nove senadores, dos quais cinco governistas, dois da oposição e dois independentes. E poderá inclusive convocar pessoas ligadas ao caso, como executivos do Master e pessoas envolvidas no caso. No entanto, ao menos em tese, o grupo não tem o poder ou a força política de uma CPI.

A leitura de fontes ouvidas pelo NeoFeed é que a composição do colegiado, que reúne em sua maioria senadores da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não conta com membros identificados diretamente com o Centrão, onde há políticos que teriam ligações com Daniel Vorcaro, dono do Master e alvo das investigações da Polícia Federal que está em prisão domiciliar.

Entre os integrantes do grupo criado por Calheiros, estão governistas como o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP); e Eduardo Braga (MDB-AM), líder do MDB no Senado, por exemplo. E oposicionistas como Espiridião Amin (PP-SC). Há dois nomes do Distrito Federal, onde está posicionado o BRB, banco público do governo local de Brasília envolvido em suposta fraude com o Master: a senadora governista Leila Barros (PDT-DF), e a bolsonarista Damares Alves (PL-DF).

Ao NeoFeed, a senadora Leila disse esperar que o perfil mais governista desse grupo possa impedir possíveis interferências do Centrão nos trabalhos do colegiado. E que não haja interferências de quaisquer grupos políticos eventualmente ligados a Vorcaro ou investigados pelo caso Master.

Também integram o grupo: Omar Aziz (PSD-AM) e Fernando Farias (MDB-AL), também governistas; os independentes Alessandro Vieira (MDB-SE) e Soraya Thronicke (Podemos-MS).

No despacho que criou o grupo, Calheiros alegou que a criação do grupo se deu diante da “gravidade dos fatos” e “das investigações em curso da Polícia Federal, as deliberações do Banco Central e do Tribunal de Contas da União, relacionadas a irregularidades atribuídas ao Banco Master”.

“O Senado não se curva a abusos do sistema financeiro. Vamos fiscalizar, cobrar explicações e proteger a economia do país sem blindar quem quer que seja, esteja onde estiver”, acrescentou Calheiros em suas redes sociais.

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