Publicação diz que o presidente dos EUA cobiça a Groenlândia há anos e, ao tratar do tema, exibe desprezo pela OtanPublicação diz que o presidente dos EUA cobiça a Groenlândia há anos e, ao tratar do tema, exibe desprezo pela Otan

“Economist” põe Trump montado em urso para fazer analogia com Putin

2026/01/22 16:42

A revista britânica “The Economist” colocou em sua capa uma imagem que mostra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), montado em um urso polar, em uma alusão a uma foto do presidente da Rússia, Vladimir Putin (independente, esquerda), cavalgando sem camisa. No texto, a publicação fala sobre a vontade do republicano de controlar a Groenlândia.

Segundo a revista, o pano de fundo do desenho é o discurso feito por Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Europeus esperavam um ataque frontal, mas, de acordo com o semanário, o tom foi quase conciliador: o presidente norte-americano reafirmou a vontade de controlar a Groenlândia, mas disse que não quer “usar a força”. Para “The Economist”, isso reduziu, ao menos por ora, o risco de uma crise que ameaçava engolir a aliança transatlântica.

A publicação, porém, disse que o recuo pode ser apenas tático. Trump, conforme o texto, cobiça a Groenlândia há anos e, ao tratar do tema, exibiu desprezo pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), o que deveria colocar as capitais europeias em estado de alerta. O episódio, segundo a revista, deixa 3 lições: o presidente norte-americano tende a ceder sob pressão sem abandonar objetivos de longo prazo; sua visão estreita e pessimista do mundo corrói a confiança que sustentava as alianças dos EUA; e cada confronto tem potencial “existencial”.

A “The Economist” disse que, neste caso, a Europa teve sorte porque Trump escolheu brigar por um prêmio de “quase nenhum valor estratégico” imediato para os EUA. O próprio presidente, segundo a revista, argumenta que o Ártico ganhará importância com o derretimento do gelo e que a ilha poderia abrigar o futuro sistema de defesa antimísseis “Golden Dome”. Ainda assim, o território já tem base norte-americana, e tratados permitem aos EUA fazer “quase tudo” ali sem necessidade de soberania formal.

O semanário declarou que a combinação de ameaça de tarifas, risco de guerra comercial e crise de segurança levou os mercados, a opinião pública e até o Congresso a reagirem. Sob pressão europeia, houve sinais raros de resistência a Trump. A moral, escreveu a revista, é que o presidente só recua quando percebe que haverá um preço a pagar.

O problema, segundo “The Economist”, é que, em Davos, Trump voltou a falar em “possuir” a Groenlândia e usou uma linguagem que revela desprezo pela Europa e pela utilidade da aliança atlântica. A revista mencionou a afirmação de que os EUA pagaram “100%” da Otan e não receberam nada em troca, além de queixas de sua equipe sobre gastos europeus em defesa.

Para a publicação, isso distorce a história da aliança, que foi baseada em benefícios mútuos e valores compartilhados. Europeus, lê-se no texto, forneceram bases, tropas e apoio após o 11 de Setembro, além de hoje estarem ampliando seus gastos militares por causa da Rússia, liderada por Putin.

A “The Economist” disse que aliados dos EUA precisam se preparar para um mundo em que Washington age como potência predatória e em que a própria sobrevivência da Otan deixa de ser garantida.

EUA & GROENLÂNDIA

Controlar a Groenlândia não é uma vontade nova de Donald Trump. Ele já havia manifestado interesse na região em 2019, durante seu 1º mandato à frente dos EUA, e depois em dezembro de 2024, antes de tomar posse para um 2º mandato.

O republicano já disse que se não controlar a Groenlândia “do jeito fácil”, então será do “jeito difícil”. Afirmou também, dias depois de os EUA capturarem Nicolás Maduro em uma ação militar na Venezuela, que “não precisa do direito internacional” e que seu poder é limitado apenas por sua “própria moralidade“.

Trump alega que a Groenlândia é fundamental para a segurança nacional dos EUA, para afastar a “ameaça russa” e citou a construção do Domo de Ouro, sistema de defesa para proteger o país de mísseis. O custo estimado do Golden Dome é de US$ 175 bilhões.

Além das ameaças de controlar a região à força, Trump também avalia comprar a Groenlândia e oferecer pagamentos diretos aos moradores da ilha. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou em 13 de janeiro que o território autônomo escolheria seguir ligado à Dinamarca, e não aos EUA.

Copyright Reprodução/Truth Social @realDonaldTrump – 20.jan.2026
Trump publicou em seu perfil na Truth Social uma montagem em que ele finca a bandeira dos EUA na Groenlândia

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