A Shein pode ter causado disrupção no varejo de roupas nacional, forçando marcas locais e globais a repensarem suas operações para competir.
Mas o Custo Brasil segue falando bastante alto para a maioria das companhias do País, inclusive para a fast fashion chinesa, que, mesmo ainda mais barata que seus pares, tem no Brasil um de seus mercados mais caros.
É o que mostra o Índice Zara, elaborado pelo BTG Pactual, que compara uma cesta de 12 produtos da marca espanhola em 54 países para avaliar diferenças de custos de operação e preços no segmento de moda.
O índice aponta que os produtos da Zara estão agora 3% mais caros no Brasil do que nos Estados Unidos. O resultado representa uma reversão em relação ao ano passado, quando estavam 6% mais baratos que no mercado americano.
Ajustado pela paridade poder de compra (PPP), os preços da Zara são 123% superiores aos dos Estados Unidos, mantendo o Brasil entre os mercados mais caros para os consumidores da marca.
Segundo os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Pedro Lima, a valorização do real frente ao dólar foi “fiel da balança” para que os custos prevalecessem sobre a necessidade de preços mais competitivos. Em 2025, o real valorizou cerca de 15%.
“Mesmo que a Zara tenha ajustado seus preços em resposta ao mercado cada vez mais competitivo, ainda conseguiu repassar parte das pressões de custo ao consumidor”, diz o relatório.
Apesar de frequentemente figurar entre os países mais caros do Índice Zara desde 2014, o Brasil não está nas primeiras posições desta edição. Entre 17 países mais caros, ficou em 16º lugar, com a Nova Zelândia em primeiro.
No ranking ajustado pelo PPP, o Brasil ocupa a 13ª posição entre 49 mercados, liderado pela Tailândia.
O estudo também mostra que a Shein enfrenta dificuldades para operar no Brasil. Os produtos da marca chinesa são 7% mais baratos no Brasil do que nos Estados Unidos, considerando uma cesta de oito itens em 15 países. Comparando com marcas locais, a Shein é 6% mais barata que a Riachuelo, 10% que a Renner e 13% que a C&A.
Mas, ajustados pela PPP, os preços da Shein são o dobro dos praticados nos Estados Unidos, tornando o Brasil um dos mercados mais caros para a companhia, ainda que tenha melhorado em relação ao resultado anterior, quando estava 189% mais caro.

