O Bitcoin enfrenta uma fase delicada, marcada por incertezas que se acumulam e pressionam o preço de forma constante. Embora muitos investidores esperassem uma retomada firme após a correção recente, analistas afirmam que o cenário segue carregado de riscos. Os fatores que travam o avanço do BTC vêm de áreas distintas, mas convergem para o mesmo ponto: dificuldade de retomada no curto prazo.
James Butterfill, chefe de pesquisa da CoinShares, explica que o momento atual combina choques geopolíticos, pressão de baleias e dúvidas sobre a sucessão no Federal Reserve. A tensão envolvendo a Groenlândia e ameaças de novas tarifas comerciais reacendeu o desconforto, repetindo padrões observados em episódios semelhantes, como o embate EUA–China no ano passado. Esses eventos costumam provocar quedas rápidas, seguidas por fases lentas de estabilização — e parece ser exatamente esse o comportamento atual.
Além disso, Butterfill destaca que a venda contínua de grandes participantes derruba a confiança. A teoria do ciclo de quatro anos, apesar de não ter fundamentação robusta, tornou-se amplamente seguida e agora influencia o sentimento coletivo. O mercado, portanto, reage como se estivesse cumprindo uma etapa inevitável desse ciclo, reforçando o movimento.
Mesmo assim, o analista alerta que cada choque geopolítico produz efeitos diferentes. O colapso do yen carry trade e antigas disputas comerciais criaram padrões parecidos, mas a intensidade da queda depende sempre do gatilho inicial. “Mais pressão no curto prazo seguida de recuperação parece o cenário mais provável”, resume ele.
No mesmo pacote de dúvidas, surge a sucessão no Fed. Os mercados haviam precificado Kevin Hasset como favorito, mas a sinalização de Donald Trump mudou o quadro. As apostas agora favorecem Kevin Warsh, conhecido pela postura rígida e por defender cautela em cortes de juros. Esse movimento já afeta o sentimento de risco no Bitcoin, porque juros mais altos reduzem o apetite por ativos voláteis.
Porém, para Butterfill, essa leitura não faz sentido. A manutenção de uma política dura seria incompatível com o objetivo declarado da Casa Branca de afrouxar as condições financeiras ainda este ano. Ou seja, os mercados podem estar interpretando o cenário político de forma equivocada.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, a indefinição em torno do “Clarity Act” amplia a incerteza regulatória. O projeto, que prometia estabelecer regras claras para stablecoins e fortalecer o ambiente institucional do Ethereum, enfrenta entraves no Comitê Bancário do Senado. Disputas sobre recompensas aos detentores desses ativos travam a votação e reduzem a chance de avanços num momento crucial.
No campo técnico, o cenário não é mais favorável. Petar Jaćimović, analista da FXCentrum, afirma que o Bitcoin ainda mostra força vendedora dominante. Ele destaca que a forte queda recente arrastou o RSI para a região de 20, sinal claro de excesso de venda. Mesmo assim, o preço não reagiu com vigor. “Vimos apenas uma consolidação tímida perto de US$ 89.500”, explica.
Para Jaćimović, a ausência de força compradora abre espaço para novas quedas. Ele estruturou uma operação vendida com stop em US$ 91.380 e alvo em US$ 84.400 — nível que, segundo ele, oferece boa relação entre risco e retorno. “Há pivôs ainda mais baixos, como US$ 81.650, que seguem totalmente possíveis caso o mercado acelere a correção”, afirma.
O analista lembra que o fluxo vendedor permanece intenso. O RSI não exibiu nenhum salto relevante, e o preço sequer tocou a banda superior de Bollinger, sinal de que o movimento atual pode representar apenas uma pausa dentro de uma tendência maior de queda. “A estrutura ainda aponta para baixo, e nada indica força real de recuperação por enquanto”, conclui.
Assim, o Bitcoin segue pressionado por fatores técnicos, geopolíticos e políticos. A recuperação virá, segundo especialistas, mas não antes de o mercado enfrentar mais volatilidade e ajustar suas expectativas em relação ao futuro da política monetária e da regulamentação global.
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