A SRM Ventures está investindo R$ 30 milhões na fintech Anbetec para acelerar a virada da empresa de ERP financeiro (Enterprise Resource Planning) para uma operação com crédito. A ambição é chegar a R$ 150 milhões cedidos até o fim de 2026.

A Anbetec, fundada em 2018, se vende como uma empresa que conecta o backoffice financeiro de distribuidores, atacadistas e varejistas. Integra múltiplos ERPs, liga a operação a bancos, adquirentes, boletos, Pix e cartões. A partir daí, automatiza conciliação e auditoria de recebíveis e projeta fluxo de caixa.

Desde abril do ano passado, lançou uma vertical para oferecer funding no próprio fluxo operacional. Com o aporte da SRM, ela quer escalar essa nova esteira de crédito.

A fintech já processa mais de R$ 22 bilhões por ano em transações financeiras e registra mensalmente mais de 2 milhões de títulos de recebíveis em sua plataforma, com cerca de 200 empresas como clientes. Com o aporte, quer crescer 200% este ano no crédito e em clientes próprios.

“Estávamos com o problema bom de precisar investir para atender a demanda. Já originamos mais de R$ 10 milhões, com crescimento médio de R$ 2 milhões por mês. Com o investimento, queremos atingir R$ 150 milhões em crédito até o fim de 2026”, afirma Eduardo Mendonça, CEO da Anbetec, ao NeoFeed.

O problema casou perfeitamente com a tese da SRM Ventures de investir em fintechs de nicho, tipicamente B2B, que já encontraram tração e um problema claro para resolver. Mas esbarram na falta de funding para escalar.

Em vez de atuar como um venture capital “puro”, o braço da SRM combina capital e estrutura de crédito para acelerar a originação nas investidas, funcionando como um private credit, com foco em modelos em que o crédito é parte do produto.

“Queremos ajudar a Anbetec a transformar essa “massa de dados” em originação de crédito, principalmente antecipação de recebíveis. Vemos que, com o ecossistema que eles têm, podem evoluir para estruturas mais típicas do mercado de capitais, funcionando até como um banco” diz André Szapiro, head da SRM Ventures.

O aporte envolve uma linha de crédito de R$ 30 milhões para viabilizar essa aceleração, com um efeito colateral estratégico: parte dos clientes da Anbetec pode virar também cliente da SRM, pela demanda de crédito.

Mendonça, por sua vez, desenha um caminho de expansão em camadas: começar pelo recebível — onde o lastro é o giro do cliente — e evoluir para uma prateleira mais ampla, com contas digitais e cartões, na tentativa de fazer da Anbetec “o sistema financeiro” da cadeia de abastecimento.

A investida também é mais um capítulo da SRM Ventures, e seu fundo, de três anos e R$ 500 milhões, já acumula 15 empresas no portfólio, tendo originado cerca de R$ 1,5 bilhão em crédito. Somente no ano passado, foram oito investidas, como a Juvo, Blipay e cashbanx.

Segundo Szapiro, as fintechs investidas teriam originado R$ 900 milhões nos últimos 12 meses e R$ 500 milhões em seis meses. E com o crescimento das operações, há espaço para reciclar capital, sem necessidade de uma captação nova para manter o plano de mais investidas ao longo de 2026, que ainda terá muitas oportunidades.

“Para 2026, pretendemos fechar de 8 a 10 negócios e somar R$ 1,5 bi de volume operado pelas empresas do nosso portfólio,” afirma ele.

O pano de fundo é um mercado de fintechs em que a dor do cliente por crédito continua grande, mas a equação de capital ficou mais dura. O crédito ficou caro, mas a procura continuou forte mesmo com juros altos, com a queda do custo, a tendência é o produto ganhar tração adicional.

“Mesmo com os juros caindo, será pouco e a disponibilidade de capital continuará restrita. Agora com a gestora Empirica, adquirida no ano passado, temos ainda mais musculatura para atender a essa demanda”, diz Szapiro.

Relacionados

O fundo de Londres que transformou milhões em bilhões com aposta na Revolut

Inadimplência cresce em FIDCs de crédito pessoal. E isso pode ser apenas o começo

Jeitto trava briga com Master em FIDC "fora dos padrões" e vê inadimplência explodir