A Vale (VALE3) voltou a ocupar o posto de maior produtora global de minério de ferro ao encerrar 2025 com produção de 336 milhões de toneladas. O volume representa alta de 2,6% em relação a 2024 e marca a retomada da liderança mundial, posição perdida pela companhia em 2018.
Com esse resultado, a mineradora brasileira superou a produção de 327,3 milhões de toneladas da anglo-australiana Rio Tinto. Os números foram confirmados após a divulgação do relatório de produção e vendas da companhia, publicado nesta terça-feira (27).
No relatório, a Vale informa que a produção do projeto S11D, localizado na região de Carajás (PA), atingiu o recorde de 86 milhões de toneladas em 2025.
A extração de cobre somou 382,4 mil toneladas no ano, o que representa crescimento de 9,8% na comparação com 2024.
Reflexo da reação do mercado, às 11h40 (horário de Brasília), os papéis VALE3 avançavam 1,07%, negociados a R$ 85,81.
Considerando apenas o quarto trimestre de 2025, a Vale produziu 90,4 milhões de toneladas de minério de ferro, alta de 6% frente ao mesmo período de 2024.
A produção de pelotas caiu 9,2%, para 8,3 milhões de toneladas. A extração de níquel somou 46,2 mil toneladas, crescimento de 1,5% na comparação anual.
Já a produção de cobre atingiu 108,1 mil toneladas no período, avanço de 6,2%.
Apesar do avanço operacional, a Vale permanece atrás de seus principais pares quando o critério é valor de mercado.
Conforme aponta um levantamento do Valor Data, a empresa ocupa a terceira posição entre as maiores mineradoras do mundo listadas em bolsa.
Considerando o fechamento de terça-feira, a Vale possui valor de mercado de US$ 73,6 bilhões, enquanto a Rio Tinto lidera o ranking, avaliada em US$ 184,9 bilhões, seguida pela BHP, com US$ 179,9 bilhões.
A Vale tem atuado para reduzir essa distância em relação aos concorrentes. Segundo o levantamento, a Vale voltou a entrar no radar de investidores globais à medida que tem endereçado gargalos considerados relevantes pelo mercado.
Entre esses pontos estão o acordo definitivo de reparação do desastre de Mariana, ocorrido em 2015 e assinado em 2024, além do cumprimento de metas operacionais estabelecidas pela empresa.
O cenário também inclui a decisão de investidores com foco em critérios ESG (sigla para práticas ambientais, sociais e de governança) que retiraram a Vale de suas listas de exclusão.
Após os rompimentos das barragens de Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019, a mineradora passou a enfrentar restrições relevantes nesse universo de investimento.
Há estimativas de que cerca de US$ 5 trilhões em recursos de fundos globais tenham ficado impedidos de investir na Vale após Brumadinho.
Desse total, aproximadamente US$ 1,5 trilhão não estaria mais sujeito a essas restrições, ampliando o potencial de entrada de capital na companhia.
As vendas de finos de minério de ferro da Vale cresceram 4,9% em 2025, alcançando 273 milhões de toneladas.
As vendas de pelotas recuaram 14,4%, para 32,8 milhões de toneladas. Já as vendas de níquel avançaram 11,3%, para 172,8 mil toneladas.
No caso do cobre, as vendas totalizaram 367,8 mil toneladas, crescimento de 12,4% frente a 2024.
O preço médio recebido pela Vale nas vendas de finos de minério de ferro em 2025 ficou em US$ 91,6 por tonelada, queda de 3,9% na comparação com a média de 2024.
Nas vendas de pelotas, o preço médio recuou 13,3%, para US$ 134 por tonelada. Por outro lado, o preço médio obtido nas vendas de cobre foi de US$ 9.763 por tonelada, alta de 10,8% no ano. Já o preço médio realizado nas vendas de níquel caiu 8,9%, para US$ 15.556 por tonelada.
A Vale também informou que o prêmio “all-in”, que considera a qualidade do minério, os prêmios dos finos e a contribuição do negócio de pelotas, foi de US$ 0,9 por tonelada no quarto trimestre de 2025.
O valor representa recuo de 80,4% em relação ao quarto trimestre de 2024. Na média de 2025, o prêmio ficou em US$ 1,5 por tonelada, queda de 28,6% na comparação com o ano anterior.
Após a divulgação dos resultados, o Jefferies elevou o preço-alvo dos ADRs da Vale de US$ 16,50 para US$ 20 e reiterou recomendação de compra.
Segundo o banco, o resultado operacional do quarto trimestre superou as estimativas em todos os segmentos e atingiu a meta anual revisada. O destaque do período foi a divisão de metais básicos, especialmente o cobre, cuja produção avançou 19% na comparação trimestral, alcançando o maior nível desde 2018.
O Itaú BBA também manteve recomendação de compra para os ADRs da Vale, com preço-alvo de US$ 14.
O banco avalia que os resultados operacionais do quarto trimestre foram robustos e projeta que a estimativa de Ebitda de US$ 4,57 bilhões para o período deve ser alcançada.
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