Na primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, afirmou que a economia dos Estados Unidos cresceu em ritmo sólido no ano passado e inicia 2026 com um “cenário firme”.
Após optar por manter os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano — depois de três cortes consecutivos —, o mandatário disse que apesar de os ganhos de emprego terem permanecido moderados, a taxa de desemprego mostra sinais de estabilização.
Ele acrescentou que “a atual postura da política monetária é vista como apropriada para promover o progresso em direção aos nossos objetivos de máximo emprego e inflação de 2%”.
A decisão do Fomc era amplamente esperada, logo não causou surpresas. No entanto, a discordância entre os diretores acendeu um novo sinal de alerta, mas que foi amenizado por Powell durante o discurso.
Os opositores a manutenção foram: Stephen Miran e Christopher Waller, que votaram por um corte de 25 pontos-base.
Powell afirmou que houve apoio amplo no Comitê pela manutenção dos juros, inclusive entre dirigentes que não possuem direito a voto. “Algumas pessoas queriam cortar, mas o Comitê estava bastante a favor de manter a posição”, disse.
Próximo de deixar o comando da instituição, Jerome Powell aconselhou o seu sucessor: “Fique fora da política eleitoral”, disse durante a coletiva nesta quarta.
Powell lembrou que a inflação medida pelo índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) subiu 2,9% em 12 meses até dezembro. O núcleo do PCE, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 3% no mesmo período.
O PCE é o principal indicador de inflação utilizado pelo Fed para conduzir a política monetária. A meta oficial do banco central é de inflação de 2% ao ano.
Powell afirmou que as expectativas de inflação de longo prazo permanecem alinhadas com esse objetivo, o que, segundo ele, é um fator relevante para a condução da política monetária.
O presidente do Fed evitou dar sinalizações sobre o rumo futuro dos juros. Segundo ele, as decisões continuarão sendo tomadas reunião a reunião, com base nos dados econômicos disponíveis.
Powell disse que as taxas de juros estão próximas do limite superior do chamado nível neutro, conceito que representa uma política que não estimula nem restringe a economia. Ainda assim, ponderou que é difícil afirmar que a política atual seja significativamente restritiva.
Segundo Powell, os indicadores do mercado de trabalho sugerem estabilização após um período de enfraquecimento gradual. Contratações, vagas abertas e crescimento dos salários apresentam pouca variação recente.
Ele acrescentou que a perspectiva para a atividade econômica melhorou desde a última reunião do Fed, em dezembro. Dados recentes, segundo Powell, indicam revisão positiva das projeções de crescimento.
Para a Capital Economics, o voto dissidente de Christopher Waller a favor de um corte de juros pode alimentar especulações sobre uma possível tentativa de se credenciar à presidência do Fed no futuro.
A consultoria avalia que as mudanças no comunicado do Fomc reforçam a sinalização de maior cautela com novos cortes e indicam que o banco central pode manter os juros inalterados por mais algumas reuniões.
Ainda assim, a Capital destaca que os votos dissidentes sugerem que o viés do Comitê segue inclinado, no médio prazo, a um afrouxamento adicional da política monetária.
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