Os arquivos do caso Jeffrey Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos nesta 6ª feira (30.jan.2026) mostram relatos em que o presidente Donald Trump, foi acusado de abusar sexualmente de uma menor de idade.
Segundo os relatos, feitos por uma amiga da suposta vítima ao Departamento de Justiça, a jovem –de 13 ou 14 anos– teria sido forçada a fazer sexo oral no republicano aproximadamente 35 anos atrás no Estado de Nova Jersey. Não há informações sobre quando teria ocorrido o episódio. De acordo com os relatos, a adolescente teria mordido o pênis de Trump.
A amiga da suposta vítima de Trump relatou ainda ter sido abusada por Jeffrey Epstein e apanhado na cara ao ter rido da mordida no órgão reprodutor do republicano.
Não há nenhum tipo de prova material ou indício que mostre que os relatos são verdadeiros. Também não está claro se essas informações deram origem a investigações posteriores.
Trump é citado centenas de outras vezes nos 3,5 milhões de documentos divulgados nesta 6ª feira (30.jan). Há outras acusações contra o presidente norte-americano.
Em uma delas, uma mulher disse ter sido vítima e testemunha de um esquema de tráfico sexual no campo de golfe do republicano em Rancho Palos Verdes, na Califórnia, em 1995 e 1996. A acusação cita a participação de Epstein, da ex-namorada do empresário, Ghislaine Maxwell, do ex-presidente Bill Clinton (democrata) e do jornalista Robin Leach. O relato menciona festas sexuais e orgias com meninas jovens e modelos da marca Victoria’s Secret.
O vice-procurador-geral Todd Blanche declarou que a Casa Branca não teve “nenhuma supervisão” sobre a revisão dos documentos relacionados à investigação de Epstein. Democratas e críticos de Trump afirmam que o governo dos EUA tenta ocultar documentos e referências ao republicano no caso.
“Eles não supervisionaram esta revisão. Não disseram a este departamento como conduzir nossa revisão, o que procurar, o que ocultar ou o que não ocultar”, disse o vice-procurador.
Blanche afirmou ainda que podem existir documentos, imagens e vídeos falsos nos arquivos divulgados nesta 6ª feira (30.jan): “Alguns dos documentos contêm alegações falsas e sensacionalistas contra o presidente Trump que foram submetidas ao FBI pouco antes da eleição de 2020. Para deixar claro, as alegações são infundadas e falsas, e se tivessem qualquer fragmento de credibilidade, certamente já teriam sido usadas contra o presidente Trump”.
Trump não foi acusado formalmente de nenhum crime relacionado ao caso Epstein. Ele nega ter conhecimento ou envolvimento com o esquema de tráfico e abuso sexual que era comandado pelo financista.
Em um e-mail enviado por Epstein a si mesmo em 18 de julho de 2013, o financista afirma que Bill Gates teria contraído uma doença sexualmente transmissível depois de ter relações sexuais com “garotas russas”.
Em outra mensagem, também enviada em formato de diário pessoal, Epstein escreveu que teria ajudado o dono da Microsoft a adquirir remédios “para lidar com as consequências do sexo com garotas russas”. As substâncias seriam para Melinda, a mulher de Bill Gates. Não está claro se Epstein chegou a enviar as mensagens para outras pessoas.
“Para piorar ainda mais a situação, você me implora que eu apague os e-mails referentes à sua DST, ao seu pedido para que eu lhe forneça antibióticos que você possa dar secretamente para Melinda e a descrição do seu pênis”, escreveu Epstein.
Os arquivos também mostram uma extensa troca de mensagens entre Epstein e Elon Musk. Os empresários chegaram a planejar em duas oportunidades uma visita do dono do X à ilha do financista.
Musk já afirmou diversas vezes ter negado convites de Epstein. Os documentos mostram, porém, que o empresário sul-africano tentou organizar uma viagem e chegou a perguntar quando seria a “festa mais animada”. Não está claro se ele chegou a visitar a ilha.
As páginas que vieram a público são mais uma parte do que o governo dos EUA tem sobre Epstein. Donald Trump sancionou nem 19 de novembro de 2025 um projeto de lei aprovado pelo Congresso que obriga o Departamento de Justiça a divulgar todas as informações da investigação sobre o empresário.
Estão nos arquivos e-mails enviados e recebidos pelo financista, conversas com aliados, sócios e lobistas e análises econômicas, além de manuscritos de livros, artigos de notícias e até poesias que eram enviadas a ele.
Jeffrey Edward Epstein (1953-2019) nasceu em 20 de janeiro de 1953, em Nova York (EUA). Ele formou-se antes do previsto na Lafayette High School, no Brooklyn, em 1969. Estudou até 1971 na faculdade Cooper Union, em NY, ano em que se transferiu para o Instituto Courant de Ciências Matemáticas da NYU (Universidade de Nova York), onde estudou por 3 anos, mas não se formou.
De acordo com a enciclopédia Britannica, mesmo sem um diploma, Epstein deu aulas de física e matemática, de 1974 a 1976, em uma escola particular, a Dalton School, em Manhattan.
Epstein iniciou sua carreira no mercado financeiro logo depois de deixar o cargo de professor. Entrou no banco de investimentos Bear Stearns, onde trabalhou por 4 anos. Em 1981, fundou o próprio fundo financeiro para gerir patrimônios bilionários. Seu 1º cliente foi Les Wexner, dono da Victoria’s Secret.
O bilionário frequentava e promovia festas com personalidades e políticos americanos. Entre os convidados dos eventos realizados na ilha particular de Epstein, Little St. James, estavam figuras como Bill Clinton, Donald Trump, o príncipe Andrew e Bill Gates. Era comum que ele emprestasse seu jato particular para levar os convidados até a ilha.
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