O presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), pediu ao presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, acesso a todos os documentos da investigação sobre o Banco Master, inclusive os dados sigilosos.
A declaração foi dada na sede do BC nesta 4ª feira (4.fev.2026), onde senadores da CAE se reuniram com Galípolo para tratar do grupo de trabalho criado pela comissão para acompanhar as apurações sobre a instituição financeira. “O Galípolo foi muito solícito, entendeu que o papel é fortalecer o BC”, disse.
Segundo Renan Calheiros, a fiscalização do sistema financeiro será permanente e poderá incluir pedidos formais de quebra de sigilo ao plenário do Senado, se necessário. O pedido é relevante porque envolve a atuação do regulador, possíveis falhas de supervisão e pressões políticas sobre órgãos de controle, com impacto direto sobre a credibilidade do sistema financeiro e a proteção dos pagadores de imposto.
“Nós fizemos hoje uma visita ao presidente do Banco Central. Foi uma conversa muito boa. Como vocês sabem, cabe à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado fiscalizar o sistema financeiro. A nossa fiscalização não será temporária, será permanente”, afirmou Calheiros.
O senador disse que a CAE vai atuar com base na Lei Complementar nº 105, de 2001, que trata do sigilo bancário. “Nós vamos requisitar todas as informações das investigações que estão sendo feitas sobre o Master, inclusive as informações sigilosas”, disse.
“Se houver necessidade de quebrar sigilo, do ponto de vista da CAE e da investigação, nós vamos pedir ao plenário do Senado Federal que autorize. Mas nós esperamos que não haja necessidade disso”, completou.
Calheiros afirmou que o objetivo do grupo de trabalho é esclarecer responsabilidades e aprimorar a regulação. “O nosso propósito é lancetear o tumor. Esse tumor não pode continuar intacto. Se ele continuar intacto, ele cria metástase. Nós precisamos fazer uma varredura para termos uma regulação eficiente, de modo a evitar fraudes futuras”, disse.
Segundo o presidente da CAE, a reunião não teve como finalidade convidar Galípolo para comparecer à comissão neste momento. “Nós não viemos convidar o presidente do Banco Central para ir ao trabalho da comissão. Viemos pedir acesso às informações e requisitar assessoramento técnico do Banco Central”, afirmou.
Calheiros disse que o BC apresentou demandas normativas e estruturais ao Senado. “Houve pedido de projeto que está tramitando há mais de 10 anos e que eles precisam. O Banco Central também enfrenta problema de pessoal, com contingente pequeno, e isso precisa ser resolvido do ponto de vista orçamentário”.
Calheiros justificou a urgência da aprovação da PEC de autonomia do BC. “Parece já ter acordo em torno de 65 votos, mas também é necessário aprovar o projeto de resolução para compatibilizar a PEC com a realidade”, afirmou.
O senador disse que mudanças legais não podem ocorrer sem a responsabilização de quem descumpriu regras vigentes. “Nós não vamos inverter a lógica. Se você muda apenas a legislação, sem responsabilizar aqueles que descumpriram a legislação existente, você acaba invertendo a lógica. Primeiro é preciso elucidar”, declarou.
Segundo ele, a sociedade cobra respostas de várias instituições. “Muitas dessas respostas devem ser dadas pelo Banco Central, pelo Supremo Tribunal Federal, pela Polícia Federal, pelo Tribunal de Contas da União, com quem estivemos ontem, e pela própria CVM”, disse.
Calheiros antecipou que o grupo visitará o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pedindo sempre a mesma coisa: “Assessoramento técnico e informações das investigações existentes”, declarou.
Sobre a conversa com Galípolo, o senador disse que houve alinhamento institucional. “O Galípolo foi muito solícito. Ele se convenceu de que o papel da comissão é fortalecer o Banco Central, apoiar a liquidação do Master e investigar para responsabilizar essas pessoas, para que esse tipo de crime não volte a existir no Brasil”, afirmou.
Calheiros disse que o trabalho da CAE é complementar ao de CPIs. “Nós não somos contra a instalação de CPI. Eu assinei os pedidos existentes. O trabalho da CAE e das CPIs é complementar. Cabe à CAE fazer o aprimoramento da legislação”, declarou.
Segundo o senador, Galípolo se comprometeu a colaborar dentro dos limites legais. “As informações que ele pode passar, ele vai disponibilizar e agilizar”, disse.
Para Calheiros, o ponto central das apurações é a reconstrução dos fatos. “A única coisa que vai nos ajudar a responder o que a sociedade cobra é uma linha do tempo. Saber quem comunicou a quem, quem informou quem e a extensão dos crimes cometidos”, afirmou.
O senador citou episódios que, segundo ele, indicam pressão política sobre órgãos de controle. “Houve tentativa de elevar o limite do Fundo Garantidor de Crédito para R$ 1 milhão, pressão sobre setor do TCU para liquidar a liquidação do banco e, durante o processo de aquisição pelo BRB, tentativa de alterar a lei do BC Independente para permitir exoneração de diretores pelo Congresso. Isso era instrumento de chantagem para autorizar a compra. Tudo isso é público”, declarou.


