Nova business unit que reunirá as divisões Basic e Shoes & Bags será liderada por David Python, que já comanda desde outubro a marca catarinense, segundo contarNova business unit que reunirá as divisões Basic e Shoes & Bags será liderada por David Python, que já comanda desde outubro a marca catarinense, segundo contar

Hering e Arezzo&Co juntas: Azzas 2154 unifica unidades e mira geração de valor

2026/02/05 06:58
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Nos últimos meses, o Azzas 2154 tem reorganizado a sua estrutura em busca de simplificação da operação e consequentes ganhos de eficiência e sinergias. Os resultados iniciais dessa estratégia têm se mostrado tão positivos que o grupo liderado por Alexandre Birman decidiu acelerar a execução.

O grupo acaba de anunciar ao mercado no fim da tarde desta quarta-feira (4) a unificação de suas BUs (Business Units) que reuniam a Hering (Basic) e a Arezzo&Co (Shoes & Bags), esta última com as marcas Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Vans e Vicenza.

A liderança da nova BU vai caber a David Python, que conduz desde outubro passado o plano de turnaround da Hering, como contado em reportagem da Bloomberg Línea na última sexta-feira (30).

“É uma decisão que reflete o processo contínuo de evolução do grupo”, disse Alexandre Birman, CEO do Azzas 2154, em entrevista à Bloomberg Línea.

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“Estamos na fase final de cálculos, mas estimamos sinergias com a integração de áreas e a eficiência que vamos gerar”, completou o executivo, sem abrir valores específicos.

Parte disso será reinvestido em melhorias operacionais em sistemas, em centro de distribuição e em capacidade omnichannel, entre outras frentes.

O atual CEO da BU de Shoes & Bags, Rafael Sachete, vai trabalhar na transição com Python por quase dois meses, até o fim de março, e depois se despede do grupo, depois de mais de 20 anos (contando o tempo de Arezzo), para assumir um novo cargo em uma “grande empresa” de outro setor (leia mais abaixo).

Birman destacou as semelhanças entre os modelos de negócios de Hering e Arezzo&Co, ambas com operações relevantes na região Sul, em Blumenau (Santa Catarina) e Campo Bom (Rio Grande do Sul), respectivamente.

“Embora sejam de categorias diferentes - vestuário e calçados -, as duas marcas guardam similaridades quase históricas: nasceram como indústria e, ao longo do tempo, abriram loja, desenvolveram modelos de franquias e também de distribuição por meio de multimarcas”, afirmou Birman.

David Python, CEO da Hering desde outubro de 2025 e agora líder da Business Unit que também reúne a Arezzo&Co (Foto: Divulgação)

As respectivas redes de franquias, as maiores do Brasil em suas categorias, envolvem muito além da venda do direito de abrir uma loja, destacaram Birman e Python: trata-se de explorar o que há de melhor em processos como gestão financeira, capacitação, treinamento e sucessão, entre outros.

O objetivo é realizar esse “intercâmbio” de expertise, como o da Arezzo&Co em CRM e marketing, por exemplo, por meio de programas de excelência com as melhores práticas adotadas pelos franqueados para vendas e gestão.

Outro exemplo citado foi o do showroom eletrônico que a Arezzo desenvolveu de forma proprietária inicialmente em 2007 para atender digitalmente franqueados, com uma experiência de compra digital com uso de QR Code.

Os executivos contaram que a Hering, que faz uso de processos mais antigos, vinha “tomando emprestado” a ferramenta; e, com a unificação, isso será feito de forma estruturada e colocado em prática já nos próximos meses.

A frente de atendimento do pós-venda para o B2B, um importante canal de distribuição das duas unidades de negócios, também deve se beneficiar da integração, segundo eles, em outra oportunidade identificada.

“Não há uma ‘bala de prata’, mas uma série de iniciativas muito bem mapeadas, que terão priorização de acordo com o grau de complexidade de implementação versus capacidade de geração de valor no curto prazo”, disse Birman.

Unificação de todas as BUs

Segundo o CEO e idealizador do Azzas (AZZA3), o plano é que o grupo caminhe para uma unificação de suas operações no futuro, com um sistema único.

A decisão anunciada nesta quarta é um movimento semelhante ao que foi realizado em agosto de 2025, com a integração das divisões de moda masculina (AR&Co) e feminina (Grupo Soma) em uma unidade de negócios denominada Fashion & Lifestyle, sob o comando de Ruy Kameyama no Rio de Janeiro.

Essa unidade tem preponderância de canais B2C, com lojas próprias de marcas como Farm Rio, Animale, NV, Cris Barros, Maria Filó, Carol Bassi e Reserva, entre outras, além de processos de supply chain “muito similares”.

Essa reorganização vai gerar sinergias que, neste ano de 2026, vão ajudar a alavancar os resultados de todo o grupo, segundo o CEO.

Ao fim do processo, o Azzas 2154 terá duas BUs “muito bem segmentadas”, mas similares em termos de escala e faturamento - ambas na faixa de R$ 7,5 bilhões a R$ 8 bilhões ao ano: a unidade de Fashion, com 70% das vendas no canal B2C e 30% no B2B; e a nova de Hering e Arezzo&Co, com 65% de B2B.

No planejamento anunciado ao mercado - e que já estava sendo trabalhado -, Python assume em um primeiro momento a gestão unificada de pessoas (RH), de tecnologia e financeira de Hering e Arezzo&Co; e, a partir de junho, de toda a operação.

Entre abril e junho, haverá uma gestão híbrida de Python com o próprio Birman, que cuidará das frentes de marca, marketing e produto, não por acaso entre suas especialidades.

“É importante ressaltar que não haverá uma ruptura. Isso porque não é um processo exógeno mas, sim, algo que já estava nos planos. E tem o fato de o Sachete trabalhar na transição”, disse Python na mesma entrevista.

O executivo baiano, que chegou ao Azzas no ano passado por ocasião da aquisição de sua marca de calçados Cariúma, ainda dedicará até junho uma atenção particular à marca catarinense em razão de seu momento estratégico.

Em maio, a Hering vai sincronizar todo o ciclo operacional para o novo modelo em que franqueados demandam as coleções que mais vendem para que a marca então encomende a sua produção junto à fábrica e a fornecedores.

“Quando pensamos em uma gestão unificada das duas unidades de negócios, quanto de relevância, quanto de potência, quanto de investimento será dedicado ao tema de franchising? Com certeza será mais do que com as duas separadas, por mais que haja uma proximidade”, disse Python.

Antecipação de plano e retomada na Hering

O plano envolvendo Hering e Arezzo&Co estava originalmente previsto para ser executado no fim do ano, mas acabou antecipado em razão de alguns fatores.

Birman ressaltou o que descreveu como “impressionante velocidade com que o David conseguiu implementar boas bases na Hering, principalmente no que tange à formação de um time, à definição de um plano e ao alinhamento dos stakeholders, principalmente os franqueados”.

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Isso significa, segundo o CEO, que Python está capacitado para assumir novos desafios, enquanto segue envolvido no plano de turnaround da Hering.

É um plano que tem sido conduzido também por Fernando Porto, à frente da estratégia voltada para as lojas, como Chief Creative Officer, e Gustavo Rudge, no lado da cadeia industrial, como Chief Operating Officer.

Birman disse que a saída de Rafael Sachete para assumir um “novo desafio” em uma empresa não revelada de outro setor da economia, novamente como CFO (Chief Financial Officer) - posição que ele ocupou no Azzas 2154 -, também precipitou a decisão de unificação das business units.

“Já são mais de 20 anos de grupo [contando o período na Arezzo]. E conheço o David há mais de 15 anos. Vamos fazer uma ‘passagem de bastão’ longa, de quase dois meses, para que a transição seja suave", disse Sachete na entrevista.

Segundo Birman, essa unificação já estava no radar desde 2017, momento de planos iniciais de uma combinação de negócios à época da Arezzo com a Hering.

E foi avaliada no momento de anúncio da fusão da Arezzo com o Grupo Soma, em fevereiro de 2024 - a conclusão se deu em agosto do mesmo ano. Naquele momento, acabou sendo postergada diante da complexidade da integração, o que levou à divisão em quatro unidades de negócios distintas.

Mas nunca foi descartada, segundo o CEO do grupo.

“O plano inicial era muito mais ousado do que este: era ter uma plataforma só que gerenciasse todo o back [office] de todas as marcas, dentro de um sistema único com um processo de supply chain único”, disse Birman.

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