O governo dos Estados Unidos decidiu suspender a emissão de vistos de imigrante para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil. A medida adotada nesta quarta-feira (14) pelo Departamento de Estado tem início previsto para 21 de janeiro, por prazo indeterminado.
Segundo um memorando obtido inicialmente pela Fox News Digital, a suspensão ocorre enquanto o governo americano reavalia seus procedimentos de triagem e avaliação consular, com foco na aplicação da regra conhecida como “carga pública” — que podem depender de benefícios públicos.
Além do Brasil, a lista inclui países como Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen, entre outros. O congelamento foi confirmado pelo Departamento de Estado no início da tarde, em publicação no X (antigo Twitter), mas sem mencionar a data revelada pela Fox News. Confira:
De acordo com o governo norte-americano, a suspensão não afetará os turistas e valerá apenas para imigrantes. O visto de turismo faz parte da categoria de “não imigrante”, assim como os de trabalho temporário, estudos, intercâmbio e negócios. Confira ao final do texto a relação de vistos afetados:
A medida anunciada nesta quarta com a inclusão do Brasil na lista causou “profundo espanto” ao Dr. Vinícius Bicalho, advogado licenciado nos EUA e professor de pós-graduação de direito migratório.
“A comunidade brasileira nos Estados Unidos tem um histórico extremamente positivo do ponto de vista migratório. Os índices de overstay (quando o imigrante não deixa o país no prazo determinado) dos brasileiros são, historicamente, inferiores à média mundial, e não há nenhum dado que coloque o Brasil como país de risco relevante em termos de fraude sistêmica ou ameaça à segurança nacional”, disse.
Para ele, ainda que o atual governo tenha adotado uma postura mais rígida em relação a fraudes, abusos do sistema e condutas criminosas, não há respaldo técnico, estatístico ou histórico para generalizar o rigor para a população brasileira.
Embora a regra da carga pública exista há décadas, sua aplicação varia conforme a administração. Em 2019, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o conceito foi ampliado para incluir um conjunto maior de benefícios sociais. Parte dessa ampliação foi posteriormente revertida no governo Joe Biden, em 2022.
Agora, Trump voltou a adotar uma leitura mais restritiva. “O Departamento de Estado usará sua autoridade para impedir a entrada de estrangeiros que possam se tornar um fardo público”, afirmou o porta-voz do órgão, Tommy Pigott.
De acordo com o novo memorando, os oficiais devem avaliar fatores como idade, condições de saúde, proficiência em inglês, situação financeira, histórico de uso de benefícios sociais e possível necessidade de cuidados médicos de longo prazo.
Exceções à suspensão serão limitadas e só poderão ocorrer após o candidato demonstrar que não se enquadra nos critérios de risco fiscal para o Estado americano.
Segundo Bicalho, é recomendado não criar pânico e basear qualquer ação em comunicados oficiais, visto que o congelamento afeta somente aos imigrantes.
“Embora a suspensão tenha sido confirmada oficialmente, ela se aplica apenas a vistos de imigrante. Vistos de turismo, negócios, estudo ou intercâmbio não são afetados. É fundamental acompanhar as informações oficiais antes de tomar qualquer decisão.”
O congelamento ocorre dias depois dos EUA revelarem dados que comprovam o aperto nas políticas migratórias. Na última segunda-feira (12), o Departamento de Estado informou que os Estados Unidos já revogaram mais de 100 mil vistos, número 150% maior do que o registrado em 2024.
Segundo o governo americano, as revogações envolvem diferentes categorias, incluindo estudantes internacionais, estrangeiros com registros policiais, permanência irregular e descumprimento das regras do visto.
De acordo com dados oficiais do Departamento de Estado:
No início da semana, o secretário de Estado, Marco Rubio, também confirmou a revogação de vistos de estudantes envolvidos em protestos considerados contrários à política externa americana.
O governo atribui o crescimento das revogações à criação de mecanismos de verificação contínua, que incluem monitoramento de redes sociais e revisão periódica do comportamento dos estrangeiros após a entrada no país.
Segundo Bicalho, o movimento indica uma diretriz institucional clara. “Quando a informação parte diretamente do Departamento de Estado, fica evidente que se trata de uma política estruturada, e não de ações isoladas”, afirma.
Abaixo listamos todas as categorias que serão afetadas e as que ainda poderão ser emitidas:
Vistos de não imigrante (temporários, não afetados pela suspensão) incluem:
Vistos de imigrante (suspensos pelo governo americano) incluem:
Relação familiar
Trabalho (patrocinado por empregador)
Outras categorias de imigrantes
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