O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), sugeriu nesta 3ª feira (20.jan.2026) que o Conselho da Paz criado pelo seu governo pode vir a substituir as Nações Unidas.
Durante entrevista a jornalistas na Casa Branca, o republicano foi questionado se a iniciativa de Washington para supervisionar a Faixa de Gaza poderia assumir o papel da ONU. “Pode ser que sim”, respondeu.
Trump voltou a criticar a eficácia da atuação das Nações Unidas na mediação de conflitos internacionais. “A ONU simplesmente não tem sido muito útil. Sou um grande fã do potencial da ONU, mas ela nunca correspondeu às expectativas”, disse.
Desde que voltou ao poder, em janeiro de 2025, o presidente norte-americano fez uma série de críticas a organismos multilaterais e retirou os EUA de dezenas de entidades internacionais, muitas delas ligadas à ONU.
O republicano defendeu que as Nações Unidas falham no combate a conflitos armados, mas evitou falar no fim ou na redução do poder da entidade: “A ONU deveria ter resolvido todas as guerras que eu resolvi… […] acredito que é preciso deixar a ONU continuar, porque o potencial é enorme”.
Trump também confirmou os convites para o Conselho feitos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao presidente russo, Vladimir Putin. O brasileiro, porém, ainda não deu resposta.
Trump anunciou em 15 de janeiro a criação do Conselho da Paz para supervisionar a Faixa de Gaza. O órgão será chefiado pelo presidente norte-americano. No convite enviado a líderes mundiais, os EUA afirmam que gostariam que o painel se tornasse o principal órgão de resolução de conflitos do mundo.
A criação do Conselho faz parte da 2ª fase do plano para pôr fim ao conflito em Gaza, com foco no desarmamento do Hamas, na reconstrução do enclave e no estabelecimento de um governo pós-guerra. A trégua na região teve início em 10 de outubro de 2025, porém, Israel e Hamas continuaram a trocar acusações de violações do cessar-fogo.
Segundo o comunicado divulgado pela Casa Branca, o Conselho da Paz terá “papel essencial na execução dos 20 pontos do plano presidencial, oferecendo supervisão estratégica, mobilizando recursos internacionais e assegurando a prestação de contas durante a transição de Gaza do conflito para a paz e o desenvolvimento”.
O texto afirma que o órgão contará com um comitê executivo fundador que terá como função “executar as diretrizes do Conselho da Paz” e será composto por líderes com “experiência em diplomacia, desenvolvimento, infraestrutura e estratégia econômica”.
Além de Lula e Putin, Trump convidou outros líderes para integrar o Conselho da Paz e os outros órgãos criados para supervisionar o fim do conflito em Gaza. A Casa Branca disse na 6ª feira (16.jan) que novos nomes seriam divulgados em breve.
Entre os líderes convidados estão o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o presidente do Egito, Abdel Fattah el-Sisi, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.


